O Clay Shirky é uma das pessoas que melhor explica os fenómenos decorrentes das redes sociais na Internet, como o acompanhamento das eleições iranianas através do twitter ou a localização de feridos após o terramoto no Haiti. Ele lançou um livro em 2008 intitulado “Here Comes Everybody“, no qual descreve como a Internet, sendo o primeiro meio de comunicação na história da humanidade em que o custo é zero independentemente do número de destinatários, potenciou e aumentou algo que é inerente à natureza humana: a acção colectiva. Mais…conseguiu que, de forma inédita e espontânea, grupos com milhares de pessoas que não se conhecem se coordenassem e produzissem algo com valor, sem necessidade de uma instituição “tradicional” a suportá-las.
Recentemente, lançou outro livro “Cognitive Surplus” que me apressei a encomendar. O livro começa com um facto interessante: por ano, a população americana gasta cerca de 200 biliões de horas a ver televisão. Por outro lado, o total de tempo gasto a fazer actualizações na Wikipedia é de 100 milhões de horas.

Provavelmente não vos surpreende esta desproporção, tal como a mim não me surpreendeu (apesar de ter ficado espantado com a quantidade de tempo que se gasta na wikipedia!). O que Clay Shirky defende é que esta desproporção existe apenas porque, até há pouco tempo, não tínhamos alternativa para gastar o nosso tempo livre com baixo custo e que se coadunasse com o estilo de vida moderno (horário de trabalho alargado, famílias pequenas, isolamento social, …).
De facto, a geração mais nova (até aos 25 anos) já passa mais tempo na Internet do que a ver televisão. Pode ser a jogar WoW ou a ver filmes estúpidos no Youtube, mas não deixa de ser uma forma mais activa de passar o tempo. Pegando no exemplo do Youtube, é importante perceber que se trata de algo mais do que a mera difusão de vídeo – há comentários, há partilha e há, acima de tudo, a possibilidade de fazermos os nossos próprios vídeos. E tudo isto está tão facilitado que o esforço adicional para passar de consumidor (passivo) para produtor (activo) é practicamente nulo.
Não deixa de ser fascinante imaginar o potencial que há em pegar na bola gigante de tempo inútil que se passa em frente à televisão (o tal excedente cognitivo) e aplicá-lo de forma mais activa a produzir/comentar/partilhar informação. Podem ver uma apresentação do Clay Shirky fez na TED sobre este assunto aqui.
E vocês? Já começaram a usar o vosso excedente cognitivo?