Possivelmente já terão visto esta apresentação, mas não é demais relembrá-la. Daniel Pink, o autor de Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us, refere um estudo conjunto entre algumas universidades sobre o rácio compensação monetária/produtividade. Para tarefas mecânicas, esse rácio funciona lindamente há dezenas de anos: quanto mais pagas, mais a pessoa produz. Mas curiosamente, o mesmo não acontece para tarefas cognitivas. A partir de um certo patamar, aumentar a compensação monetária não só não aumenta a produtividade, como a diminui! Os factores que realmente aumentam a produtividade (e aqui entenda-se produtividade como capacidade de resolver problemas complexos usando o raciocínio, criatividade, etc.) são:
- Autonomia - Possibibilidade de trabalharmos à nossa maneira, no local e no horário que considerarmos mais conveniente, com planeamento e regras definidas por nós e não por outras pessoas, nomeadamente o “chefe”.
- Mestria - Possibilidade de desenvolvermos o nosso talento, de melhorarmos as nossas capacidades, de sermos bons em algo.
- Propósito – Possibilidade de fazer algo com impacto no mundo, que nos transcenda.
Vídeo – Drive: The surprising truth about what motivates us
Duas notas pessoais:
- O dinheiro é importante, mas apenas para garantir um nível suficiente de conforto. Como o Daniel Pink diz: “Pay people enough to take the money issue off the table”. A minha experiência diz-me que, para pessoas realmente boas e que gostam da sua profissão, a quantidade de dinheiro necessária para elas se deixarem de preocupar com isso é menor do que imaginam…
- Isto só funciona para tarefas não-mecânicas. E não nos iludamos – muitos profissionais altamente especializados passam o dia (infelizmente) a fazer tarefas mecânicas, apesar de terem capacidade para muito mais. E como tal, exigem grandes compensações monetárias, que nesses casos funcionam muito bem.